O cara vem e diz que vai fazer um choque de ordem. Transformar a cidade do Rio de Janeiro. Tem gente que reclama e acha ele um mala. Tem gente que diz que todos reclamam, pois não valorizam alguém que quer trabalhar. Tem gente que diz que queremos organização, desde que não nos tragam prejuízos.
Ok, e vai-se dinheiro de taxi. Essa porra de lei seca que desde que surgiu deixou nossos carros na garagem o fim de semana inteiro. Tudo bem, tenho que concordar que isso é interessante, evita acidentes e o caralho-a-quatro. Tem gente que respeita, como eu. Homens não respeitam, nenhum deles vai sair sem carro na madruga. Não tem jeito. Achei que isso fosse durar pouco. “Relaxa, daqui há dois meses já esqueceram disso e a gente volta a gastar o dinheiro do taxi com cerveja”. Doce ilusão. Passei por uma blitz na semana passada. De carro.
Multas. Porra, esse prefeito está de sacanagem né? Ou então o guardinha da minha rua está de marcação com meu carro. Multa até por estar parada fora da posição correta. Parei a 40 graus, em vez de 45. Vai multar alguém que dirige bêbado pô.
Agora vem essa porcaria de rio rotativo novo. Demitem todo mundo, colocam um monte de flanelinhas despreparados e mercenários. Minhas amigas ali da rua, que me defendiam do guarda e sorriam todo dia de manhã sumiram. Nunca me cobraram nada às 7 da manhã, quando eu tiro meu carro da vaga. Esses novos querem sempre um cafezinho. Onde será que estão minhas amigas? Será que continuam trabalhando honestamente para o seu próprio cafezinho?
Políticas.
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Velhice
O tempo vai passando e realmente as coisas vão ficando menos importantes. Não damos mais atenção a cada probleminha, o que antes era fundamental hoje já virou quase esquecível. Uma não ligação já não traz tristeza, até porque quando a ligação acontece somos nós que não queremos. Uns goles a mais, já não trazem ressaca moral, até porque já viraram rotina. A descoberta de que uma amiga de infância é a maior das filhas da puta já não traz mágoa, apenas raiva. Uma grande companheira de trabalho rir quando você é o motivo da piada, também já não incomoda. Já percebemos que ninguém é confiável mesmo. O fim de um namoro já não é acompanhado pela depressão, pois hoje entendemos que realmente não é nem o primeiro nem o último. A notícia da morte de alguém também é comum, estampada em letras garrafais na capa do jornal. Um pé na bunda é até um alívio, afinal a fila é muito grande e quase não conseguimos escolher. Uma foda mal dada, é apenas motivo de riso, já nos acostumamos com isso. Um beijo na boca ruim, muito ruim, traz lágrimas apenas para quem busca outro numa boca desconhecida. Ser trocada por uma velha, de 30 e muitos anos, é quase tão comum como descobrir que o ex-namorado é viado. Um pau que não sobe, um pau que não goza, um pau que não entra. Dois quilos a mais, uma calça que não entra. Um sapato que machuca, a tentativa de um salto. Tudo normal. Com alguns fios brancos e umas rugas por vi.
sexta-feira, 8 de maio de 2009
(Sem)Fim
Eu tava ali me escondendo. No meio daquelas pessoas todas, não queria que você me visse. E, acredite, também não queria te ver. Tinham mesas e cadeiras, mas era aquele mesmo lugar de sempre, um pouco diferente. Esconde esconde. Daqui a pouco, estávamos sentados no chão, entre minha cama e o armário. Nos encondíamos de novo. Mas dessa vez não era um do outro. As luzes da sala não podiam ser acessas. Um pouco depois, transávamos loucamente, como sempre. No banheiro do meu irmão, na casa da minha mãe. Eu, você e nossas fantasias. Sem fim.
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Você
Pra você entender que você não é tão foda assim. Talvez não seja aquela namorada perfeita que o príncipe encantado se apaixonou. Talvez não seja a menina maluco beleza que você imagina. Talvez não seja a mulher diferente-de-todas-as-outras que a amiga descreve. Talvez não seja a bonequinha que ele um dia teve só para ele. Talvez não seja o melhor dos partidos. Talvez não seja a melhor na cama. Talvez não seja a mais inteligente. Talvez não seja a mais apaixonada. Talvez não seja a do melhor cheiro, do melhor abraço, do melhor cabelo. Talvez não seja a do melhor boquete. Talvez não seja a que ele sempre sonhou. Talvez não seja a mulher da vida dele. Talvez não seja tudo aquilo. Talvez não seja a mais importante. Talvez não seja a mais otária. Talvez não seja a mais coitada. Talvez não seja a mais submissa. Talvez não seja a mais problemática. Talvez não seja a mais destrutiva.
Talvez seja a que mais se ama.
Talvez seja a que mais se ama.
segunda-feira, 4 de maio de 2009
Alcool
Conforme vai descendo redondo, as luzes ficam mais claras, os rostos mais bonitos, os músculos mais atraentes, as palavras mais eficazes, os olhares mais diretos, as vontades mais assumidas. No meio de pessoas meio tortas, diálogos meio perdidos, mãos meio leves. Sorrisos, apertos, sarnas, sarnas e mais sarnas.
Ao acordar, risos, gargalhadas, arrependimentos e mais um monte de coisas. Dessas não lembramos.
Ao acordar, risos, gargalhadas, arrependimentos e mais um monte de coisas. Dessas não lembramos.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Realidade
Trabalhar e dormir.
Outras coisas, pra quê?
Água na garrafinha ao lado do note. Comida, idem.
Sexo não é necessário para quem aqui trabalha.
Cerveja, muito menos.
E não tenho que reclamar de nada.
Apenas agradecer por ter um trabalho decente. Um futuro decente.
Tenho orgulho de mim, sim.
Não sou malandra, nem madame!
Outras coisas, pra quê?
Água na garrafinha ao lado do note. Comida, idem.
Sexo não é necessário para quem aqui trabalha.
Cerveja, muito menos.
E não tenho que reclamar de nada.
Apenas agradecer por ter um trabalho decente. Um futuro decente.
Tenho orgulho de mim, sim.
Não sou malandra, nem madame!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Paz
Não adianta virar para o lado porque eu vou acordar. Não adianta pedir abraço porque eu quero ser abraçada. Não adianta querer espaço porque eu quero você bem pertinho. E essa foi nossa primeira sintonia. O prazer em estar o mais junto possível. E dormir. E acordar a cada vez que o outro se distancia um pouco.
Levanto da cama, com meu travesseiro na mão, só para mudar de lado e encaixar em você. Sou assim, pequenininha e caibo perfeitamente no seu corpo. Seus beijinhos dorminhocos me trazem paz. E assim durmo bem.
Essa química, essa pele, esse cheiro. Esses abraços nossos, esse amor nosso, esse desejo nosso. Essa paz nossa. Não há nada melhor do que sentir os seus braços me apertando. Percebo que tudo é recíproco e te amo ainda mais.
Não te largo por nada. Não te troco por nada. Quero você assim, todos os dias. Quero dividir meu copo com você. Quero dividir minha cama com você. Minha toalha. Aprendi a viver com você, a rir com você, a seguir com você.
Faz cosquinha, faz! Por você, tomo até mate com limão.
Levanto da cama, com meu travesseiro na mão, só para mudar de lado e encaixar em você. Sou assim, pequenininha e caibo perfeitamente no seu corpo. Seus beijinhos dorminhocos me trazem paz. E assim durmo bem.
Essa química, essa pele, esse cheiro. Esses abraços nossos, esse amor nosso, esse desejo nosso. Essa paz nossa. Não há nada melhor do que sentir os seus braços me apertando. Percebo que tudo é recíproco e te amo ainda mais.
Não te largo por nada. Não te troco por nada. Quero você assim, todos os dias. Quero dividir meu copo com você. Quero dividir minha cama com você. Minha toalha. Aprendi a viver com você, a rir com você, a seguir com você.
Faz cosquinha, faz! Por você, tomo até mate com limão.
Assinar:
Postagens (Atom)