quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Caderno

"A vida se abrirá, num feroz carrossel."

terça-feira, 30 de setembro de 2008

É

Criei meu vazio. E isso é simplesmente maravilhoso!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Perceber

O dia passou a ser noite e você nem percebeu. As luzes coloridas da cidade ascenderam e você nem percebeu. O cartão de crédito pagou por um novo vestido branco e você nem percebeu. O tempo passou. E você nem percebeu.
Até que alguém berra nos seus ouvidos: "25???????? Caraca, muito velha!" E você percebe. A euforia da proximidade do aniversário é substituída pelo pânico da idade. O que, na verdade, é uma besteira já que envelhecemos a cada minuto. Não é no dia do aniversário que, de repente, ficamos um ano mais velhos. Mas, talvez seja esse o dia que percebemos.
Todos ansiosos por uma comemoração. Um quarto de século. Sempre é bom ter um motivo para reunir os amigos mais próximos e encher a cara de cerveja. Sem nem perceber, estamos bêbados. Sem nem perceber a noite passou. E o fim-de-semana. O mês. E daqui a pouco um outro aniversário.
Tudo assim: num passe de mágica. Sem nem percebermos. As coisas mudam tão rápido, que nem percebemos. Onde era o Parque da Mônica virou a Vale. Onde era o cinema virou igreja, ou farmácia. Onde era uma linda casa, virou um edifício de 30 andares. Onde era uma criança, virou uma adulta.
As tardes livres, as aulas de inglês, de ginástica olímpica, as brincadeiras no play, as amiguinhas em casa. Tudo isso virou um dia inteiro de trabalho, pós-graduação à noite, cuidados com saúde, beleza e afazeres domésticos. E eu nem percebi. Aposto que você também não.
Nem percebemos e tudo acontece num ritmo que não conseguimos acompanhar. Tudo muda, tudo se renova. Nunca estamos up to date. Sem nem perceber, vou estar mais gorda, o peito mais caído, a pele mais maltratada. Sem nem perceber, vou olhar uma fotografia e pensar que com 25 eu não percebia o quanto era jovem.
Vamos aproveitar tudo. Nada de preguiça. Nada de dormir por horas. Nada de televisão. Somos jovens enquanto vivermos. Porque, sem nem perceber, a vida acabou.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Estalo

E disse algumas coisas ontem, acreditando realmente nas minhas palavras. Vai fazer um “crec” e eu vou morrer de rir. Talvez me irrite um pouco e me bata, me dê uns tapas para sentir dor. Mas aí será uma dor gostosa de sentir, uma dor de vitória, de alívio, de passado, de futuro. E esses tapas serão mais educativos do que os socos que me dei ontem por ser tão idiota. Queria sentir a dor merecida do castigo. Queria me martirizar por querer algo tão horrível. E ai, soquei a mim mesma. Percebendo, em uma fração de segundos depois, o quanto isso é não-normal. Mas afinal, alguém aí é normal?
Enfim, eu não sou. E mostro minha doença nos desejos proibidos pelo amor-próprio. Nas fantasias que a auto-estima, há muito destruída, tenta bloquear. Na força de vontade que não existe, mas que o peso na consciência tenta inventar. Preciso acreditar que não quero para depois realmente não querer. Preciso abrir. Abrir a porta. Abrir a cabeça. Abrir o coração. Abrir a vida. Fechar uma porta e abrir várias. Mas preciso abrir.
Peço ajuda para amigas que, com pena, dizem que a única pessoa que pode me ajudar sou eu mesma. Como se eu não soubesse, continuo pedindo ajuda, numa tentativa de tirar a culpa de mim mesma. Esquecer que o erro sou eu. Elas me ouvem, com toda atenção. E me ajudam, ao me dar carinho. E esse carinho balanceia com a falta de carinho recebida do outro lado. Busco atenção porque confesso estar precisando de abrigo.
O banheiro da empresa virou meu melhor amigo. É ele que seca minhas lágrimas, nos incontáveis pedaços de papel arremessados no cesto de lixo. Um jogo de basquete individual, que tenta me distrair. Ultimamente tudo tem sido individual. E isso, talvez, seja uma opção minha. Mas aí vem a estória do “crec”.
Um dia vai dar um estalo e eu não vou querer lembrar desses 2 anos. Vou preferir esquecer meus dois últimos aniversários, natais e réveillons. Vou querer esquecer dos sábados e domingos. Na verdade, vou querer esquecer também as segundas, terças, quartas, quintas e sextas. Vou querer esquecer o cheiro, a pele, os dedinhos de neném. Vou querer esquecer as seqüências de sexo, essas quase inesquecíveis. Vou preferir esquecer daquele que foi a maior paixão da minha vida. Mas, de uma coisa eu nunca esquecerei: meu pai me ensinando, antes das minhas primeiras palavras, que paixão é doença.
Te amo pai, mas, infelizmente, essas coisas não se aprendem.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Desculpe

E assim eu fiz. Fiz com ele a mesma coisa que fizeram comigo por 2 anos. Fiz com ele a mesma coisa que me fez sofrer tanto. Fiz com ele a mesma putaria que eu não desejo a ninguém. Fui escrota como aquele outro foi comigo. Igualzinho. Desliguei o celular e dormi. Dormi sozinha, o que talvez me absolva de um pouco da maldade que também já fizerem comigo.
Mas dormi. E desliguei o celular. E deixei ele ligando. 10 vezes. Deixei ele esperando. Deixei ele querendo. Deixei ele fantasiando. Iludi alguém. Exatamente como fizeram comigo. Senti-me péssima por isso, mas não o suficiente para me impedir de dormir. Dormi, mas sonhei. Sonhei com a canalhice que eu estava fazendo. Tive remorso mesmo. Mas mesmo assim fiz. Tento me confortar pensando que pelo menos eu me sinto culpada, enquanto o outro cagava para mim, para as minhas lágrimas, minhas aflições, minha vida. Eu me preocupei com o que eu estava fazendo. Mas fiz.
Pensei em procurá-lo. Não para inventar uma estória, embora eu tenha uma coleção de desculpas desse tipo, anotadas na minha agenda, integradas ao meu sofrimento. Não para prometê-lo um próximo encontro, já que sei que este não aconteceria. Mas para lhe dizer que ele não me merece. Achei melhor não ligar. Como é engraçado. O outro não me merece e o bonitão sou eu que não mereço. Como é a vida né?
Chega um dia em que os dois se merecem. Duas pessoas unidas pelo merecimento de um amor. Ainda não chegou minha vez. Nem a do outro. Nem a deste aqui.
Desculpe, mas eu não consegui seguir em frente com essa nossa nova estória. E, mesmo assim, obrigada pelo carinho.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Não

Por que com tantas pessoas no mundo nós escolhemos apenas um? E esse um é o responsável pelo sorriso e pela lágrima. Nenhum outro é capaz de conseguir arrancar sentimentos desse coração machucado. Esse um pode fazer o que bem entender, que sempre terá uma resposta: lágrima ou sorriso. Ele terá uma resposta. Quase sempre: lágrima.
E insisto numa estória sem futuro, sem sorrisos. Uma estória sem presente. Ela existe apenas nos meus pensamentos, no meu travesseiro. Ela está cravada na fronha amarela que guardou seu cheiro. Marcada nas fotos retiradas da casa, mas ainda na memória. A escova de dente jogada no lixo, mas ainda ali, no banheiro, a sua lembrança. Os momentos continuam pelos cômodos, na minha cama quebrada.
O celular vibra, mas seria melhor que não. É sempre a mesma decepção quando o visor indica um outro nome. Tantos nomes e nenhum me interessa. Tantas vezes vibrando, mas nunca é você. O tempo passa, e talvez esse vazio também. Talvez algo aconteça para me tirar desse buraco. Não será apenas a minha força. Algo me ajudará a sair desse labirinto, eu sinto isso.
Lembro dos bons momentos. Acho que foram poucos. Sim, poucos, se comparados aos ruins. Se você soubesse de metade das lágrimas que já derramei por você. Ainda bem que não sabe. Não deveria saber de nenhuma delas, na verdade. Vejo que estou perdendo meu tempo, minha vida. Mas algo me prende. Esse algo tão misterioso.
Queria você aqui, no meu quarto. A TV ligada, a cerveja gelada, um cigarro. Muitos papos, carinhos. Nada demais. Uma ruffles. Quem sabe uma pizza? Eu e você. Na cama quebrada. Um abraço que me é tão distante. Mas talvez fosse me tirar um sorriso. Para depois, mais mil lágrimas. E tudo outra vez.
Não.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Enfim

Sabia que seria natural. Eu realmente não consigo sofrer de paixão. Mas, naturalmente, desapaixonei. Demorou. Demorou muito mais do que eu queria. Enfim, chegou. Que alívio. Consegui tocar a paz que estava esse tempo todo presa dentro de mim. Ela se libertou. Sinto que emagreci 50 quilos. Quase todo o meu peso corporal. Estou leve como uma pluma. E como dizer que isso não é felicidade? Estou mais bonita. Na verdade, devo estar idêntica, mas me sinto muito mais bonita. Sorriso de menina sapeca.
A vida sobre a qual eu tanto escrevi já se mostrou para mim. Graças a deus, eu não perdi a prática. Continuo boa nisso. Posso sorrir todos os dias e mesmo que eu durma na transversal, terei paz. Paz: uma das coisas que Mastercard não compra. Fazem 7 dias que não derramo uma lagrima. Fazem 7 dias que não falo com ele. Coincidência? Não espero mais meu telefone tocar. Ele não toca. Já não tocava antes, mas mesmo assim eu esperava. Agora não espero mais. Na verdade, espero. Mas a minha espera agora tem sentido, porque ele toca, sim. E alguém do outro lado da linha me chama de linda. Banal. Mas é o que eu precisava.
Acabou e eu estou feliz. Muito feliz. Enfim, consegui. Minha vida vai voltar a ser colorida. Nada descreve o meu alívio. Sei que ele não vai me procurar e confesso que adoro ter essa certeza. Assim não cairei em tentação. Dessa vez, não terminei esperando a volta, esperando a demonstração do amor e da saudade. Já disse que nunca teve amor, não vai ser agora. Melhor assim, porque agora sou eu que não quero.
Bebi todas no sábado e voltei para casa pensando. “Caraca, fiquei 2 anos com uma pessoa que nunca gostou de mim”. Chega a ser cômico, para não dizer desesperador. Logo eu. Com tantas opções. 2 anos. Nunca gostou. Se tenho raiva dele? Claro que não. Tenho raiva de mim, que insisti numa piada dessas. Mas hoje, confesso que estou orgulhosa de mim mesma. A vida ta aí. Meu telefone tocando. O chopp gelado na mesa. Umas batatas fritas gordurosas. A rua. A noite. As pessoas. A VIDA. Caralho, a vida!
Que bom que acabou. Eu mereço muito mais. Ah, se te desejo felicidade? Não, te desejo amor. Espero que um dia você ame alguém de verdade. A felicidade é conseqüência.