quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Tempo

Era uma vez uma estória de 20 e poucos anos. Mas o tempo passa, os cabelos crescem, ficam loiros, o peito cai, a barriga cresce, a perna flácida, as maquiagens mais caras, as roupas mais longas, os biquínis maiores e a maturidade. Os 20 e poucos anos vão ficando para trás. Assim como a Moonight, os Cabofolias, Garopaba, Porto Seguro, ônibus de madrugada, cachaça com Sprite, vans da Bernadete, beijos escondidos, forrós da lagoa, praia no Pelé, festas americanas, música lenta, cinto de placa, saia de coton, calça de moletin, os muitos namorados, as comparações, as vontades, desejos e nenhuma resistência a nada. As raves, noites viradas, aulas aos sábados, matinês, sexo no corredor, na piscina e na pista de skate. Guardiãs de sofá, cervejas até o amanhecer, loucuras etílicas e mensagens indevidas. A falta de orgulho e a falsa idéia de conhecer tudo. Tudo isso ficou, numa estória de 20 e poucos anos.
Daqui a pouco, quase no tempo de um piscar de olhos, começa uma estória de 30 e poucos anos. Não sei bem como será. Mas imagino algo como casamentos, filhos, mais contas para pagar, menos verba para gastar, menos tempo para a cerveja, mais trabalhos domésticos, creches, deveres de casa, reuniões escolares. Aulas de inglês, ginástica olímpica, brigas entre irmãos. Zona norte, café da manhã e jantar na mesa, passeios de bicicleta, nenhum samba. Obrigações a dois, cobranças, falta da minha tão amada independência. Lembranças e nostalgias de uma época muito, mais muito bem vivida.

Nesse domingo faço 18 anos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Bons

Eu queria ser blasé. Não pensar em porra nenhuma a não ser no tipo de escova que vou fazer para uma festa de 150 reais que vou nesse sábado. Queria esquecer o comportamento humano e deitar no meu sofá para ver sessão da tarde. Não pensar em porra nenhuma a não ser no penteado da atriz principal. Queria apenas brindar meu champanhe após o trabalho e reparar no modelito do vestido da loira ao meu lado.
Na verdade, eu queria mesmo era parar de contestar e seguir esse fluxo babaca da sociedade. Queria internalizar a babaquice, porque assim eu não perceberia o quão babaca são as pessoas. Queria achar que sou o máximo porque tenho a bolsa da Louis Vitton e os óculos da Diesel. Queria acreditar que o que sou se resume ao meu cabelo bem tratado, meu corpo esbelto e minha maquiagem da L´Oreal. Queria comprar minha felicidade nos bilhetes de festas de playboy. Queria trocar minha tranqüilidade pelo meu status social. Queria dizer por ai que a cidade em que vivo é apenas violência e andar no meu carro blindado, com um motorista negro.
Mas, o que eu queria mesmo era acreditar nessas pessoas. Acreditar, como os babacas que comem a comida da empregada, que os seres humanos são bons. Queria acreditar que ninguém faz nada por mal. Que as pessoas não percebem, fazem por descuido, distração. Queria acreditar que essa patricinha babaca milionária não paga o que consome porque não percebe que comeu, bebeu, dançou.

Ela não é estelionatária.

As pessoas são boas, né babacas?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Por que?

A tristeza nos faz escrever. A angústia nos faz escrever. A dúvida nos faz escrever. A insônia nos faz escrever. A carência nos faz escrever. O medo nos faz escrever. O incerto nos faz escrever.

Nós não lemos textos felizes, de autores bem resolvidos. Os melhores foram e são aqueles que pensam, criticam, revoltam-se, negam. Os melhores se suicidam. Os melhores se afogam no álcool, no cigarro, nas drogas. Os melhores não dormem, vagam pelas madrugadas boêmias. Os melhores lêem os melhores e copiam as suas formas de depressão.

A criatividade vem da dor. Os melhores têm dor intensa, profunda, eterna.

...

Acho que é por isso que não tenho mais conseguido escrever.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Essa sociedade babaca cria um monte de robôs que fazem exatamente o que a mídia deseja. Compram grifes, compram futilidades, compram Leblon. A única coisa barata que compram é o amor. Compram um amor superficial e acham que seres humanos são bons.

Viva a sociedade babaca, que atua como a igreja, construindo uma ilusão coletiva.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Dor

Será que você fez a coisa certa?
Será que era para ser tudo em vão? Será que seremos mais felizes assim? Será que é para respirarmos apenas toda aquela poeira? Será que restaram as fotos perdidas em um computador qualquer? Será que olharei sempre para os potinhos de comida? Será que sempre me desabafará sua saudade? Será que vale você dizer que ainda me ama? Será que conseguirá me esquecer? Será que valeram as lágrimas? Será que precisava de danças, letras e sons? Será que merecemos as descobertas? Será que minha jaqueta está no lixo? Será que seus chinelos estão no armário? Será que era tudo verdade? Será que era tudo mentira? Será que existe verdade? Será que existe mentira? Será que era você? Será que era eu? Será que conhecemos a ilha da fantasia? Será que a fumaça ainda está ali? Será que perdemos vida? Será que ganhamos vida? Será que aprendemos? Será que valeu a pena? Será que te amo? Será que me ama? Será que existe futuro? Será que existe passado? Será que existe vontade? Será que existe esperança? Será que existe vida? Será que ouvirei barulhos? Será que esperarei para sempre? Será que preciso?
Será que você vai continuar me procurando? Será que um dia isso acaba?

Será que você fez a coisa certa?
Com certeza.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Vapor

Ele chega com aquele sorriso que me apaixonou.
Olha nos meus olhos, com aquela sinceridade que me cativou.
Pega nas minhas mãos com a suavidade que me enfeitiçou.
Ele dança de manhã com o bom humor que me dominou.
Liga e chuveiro e me chama com a iniciativa que me agarrou.
Fala de noite com a paixão que me capturou.

Ele me pega de jeito, me envolve em seus braços e me ama como eu sempre sonhei. Seu cheiro, seu peso, seu beijo me enlouquecem. Sinto-me desejada, amada, determinada. O vapor de sua boca, que passa pela minha. O vapor de sua boca na minha nuca, na minha pele, no meu rosto. O vapor de sua boca em minhas costas, em meus pés, em minhas pernas. O vapor de sua boca que me tira dessa esfera, fazendo o mundo inteiro parar. O vapor de sua boca que me faz achar que o mundo nada mais é do que amor. O vapor de sua boca que faz de mim o que você bem quiser. O vapor de sua boca, tão poderoso, que roubou meu coração.

O vapor de sua boca que me faz querer-te mais e mais, todos os dias. O vapor da sua boca que me faz sentir uma mistura de paixão com amor. O vapor da sua boca que me faz acreditar em eternidade. O vapor da sua boca que me faz dormir e acordar em seu colo. O vapor da sua boca que me dá paz. O vapor da sua boca que me domina os sentidos, todos eles. O vapor da sua boca que arrepia meu corpo inteiro.

O vapor da sua boca que me faz ver meu pai, de mão dada comigo, pela primeira e última vez.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Desumano

As pessoas são filhas da puta. Não sou revoltada, nem desiludida com a vida. Mas, seres humanos realmente são desprezíveis. Não existem pessoas boas. Todos são egoístas, competitivos, interesseiros. Não há quem pense nos outros, quem queira o verdadeiro bem do outro. Nós queremos apenas o nosso bem. E não abrimos mão de nada que nos seja ideal pela felicidade de outro.Assim, não devemos acreditar em amigos de infância, amigos de trabalho, amigos de noitada. Não devemos confiar no cara bonitinho, no cara evangélico, no cara que nos ama. Ninguém é confiável, ninguém vai estar com você quando você precisar. Ninguém abre mão de seus próprios interesses. Ninguém deixa de sair com o gatinho porque a melhor amiga terminou com o namorado ontem. Ninguém deixa de comprar um relógio de ouro porque tem gente morrendo de fome na rua. Ninguém deixa de dormir porque o companheiro está doente. O mundo só não está perdido por um motivo: a maioria de nós escolhe algumas pessoas para amar de verdade. Quem escolhe muitas pessoas, não ama ninguém de verdade. Nós não temos condição de amar muitos. Com a vida de sociedade moderna em que estamos inseridos, infelizmente não temos tempo para amar muitos e muito. Ou somos filhos da puta achando que amamos muitos ou escolhemos poucos para amar muito.O amor é fundamental. Quanto mais eu puder amar, melhor para mim. Quanto mais tempo eu puder dedicar em prol do amor verdadeiro, mais feliz serei. Mas, o amor tem que ser total. Prezo pela sinceridade do meu amor. Hoje, posso dizer que amo quatro pessoas com o amor maior que posso ter. Sobrou um dedo, que em breve será verdadeiramente preenchido. Aí, poderei fechar a minha mão e deixar essas pessoas bem guardadinhas, para sempre no meu coração.