É, as vezes seria mais fácil fazer parte do senso comum. Sentar em frente a TV e ali ficar por horas. Mas não. Em vez disso, penso. E nas páginas da internet, leio coisas de pessoas, assim como eu, anônimas. Elas também pensam. E, impressionantemente, têm as mesmas angústias que eu. Questionam tudo e, muito provavelmente, são vistas como chatas. Do contra. Assim como eu, também.
Por que eu não freqüento boates? Por que eu não gosto de filmes de Hollywood? Por que eu não uso a sandália da moda? Por que eu não tenho franjinha? Por que não ouço hip hop? Por que minha mãe me apresenta como “a filha despojada”? Por que todos me olham e dizem que sou estranha. Por que?
Quer saber? Não to nem aí pra vocês do senso comum. Não vou sair com vocês. Não vou pedir conselhos pra vocês. Muito provavelmente não vou nem conversar com vocês. Tudo bem, estou exercitando a minha tolerância, então talvez troque algumas palavras com vocês. Mas, por favor, não me pergunte a boa do fim de semana, não troque confidências amorosas.
Pensamos diferente. Somos muito diferentes. É outro mundo, de fato. Saibam que é muito mais fácil ser feliz assim, no padrãozinho dessa sociedade ridícula. Mas também é muito mais vazio, embora vocês não tenham discernimento para perceber isso. Tenho muito mais dúvidas, questões, idéias. Mas, não abro mão dessa angústia resolvida nas mesas do botequim. Sim, botequim. É sujo? E daí? Eu curto.
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Faces
- No que você tá pensando?
- Que a gente não tem nada a ver.
Diante desse desabafo, a menina olhou para ele, assim meio abobalhada. Ficou se perguntando se era aquilo mesmo, ou se, na verdade, não era nada daquilo. Não entendeu porque tanto radicalismo, tanta sinceridade. Não entendeu porque ele pensou isso depois de tanta sintonia desvendada. Não entendeu como uma simples conversa, em que houve desacordo, pode ter gerado uma conclusão tão certeira. “Não temos nada a ver”.
Tudo bem, ela pensou. E lembrou que, para ela, “será” já não era mais a palavra certa. Já sabia como era e agora era seguir, como ele havia dito. Não podemos prever nada, mas vamos vivendo. Ah, vai, não foi tão estranho assim. Estranha foi a forma como tudo aconteceu, mas isso agora já não importa tanto. Foi bom, até melhor do que eu imaginava, confesso. “Será que você vai me preencher assim, certinho?”
- Gostei do seu abraço. Às vezes, parece que somos um só...
- É bom, né?
- Pakaraleo.
E agora, ele vem com um “não temos nada a ver”, seguido de, “acho que estou mais empolgado que você”. Ela já não entendia tanta contradição e sabia que ali, não eram apenas as frases dela que formavam um paradoxo.
Então vem, olhe para as minhas muitas faces e tente desvendá-las. Sou multifacetada. Mergulhe em cada expressão e procure significado para cada novo rosto. Entre no meu ritmo e excite-se com sorrisos tão diferentes. Procure explicação para cada rostinho. Fale da intensidade dos meus gestos. E pense em tudo que desvendamos, que desvendaremos. Pense em quantas novas faces você vai apreciar, se deliciar. E me diga, vai, que “não temos nada a ver”.
- Que a gente não tem nada a ver.
Diante desse desabafo, a menina olhou para ele, assim meio abobalhada. Ficou se perguntando se era aquilo mesmo, ou se, na verdade, não era nada daquilo. Não entendeu porque tanto radicalismo, tanta sinceridade. Não entendeu porque ele pensou isso depois de tanta sintonia desvendada. Não entendeu como uma simples conversa, em que houve desacordo, pode ter gerado uma conclusão tão certeira. “Não temos nada a ver”.
Tudo bem, ela pensou. E lembrou que, para ela, “será” já não era mais a palavra certa. Já sabia como era e agora era seguir, como ele havia dito. Não podemos prever nada, mas vamos vivendo. Ah, vai, não foi tão estranho assim. Estranha foi a forma como tudo aconteceu, mas isso agora já não importa tanto. Foi bom, até melhor do que eu imaginava, confesso. “Será que você vai me preencher assim, certinho?”
- Gostei do seu abraço. Às vezes, parece que somos um só...
- É bom, né?
- Pakaraleo.
E agora, ele vem com um “não temos nada a ver”, seguido de, “acho que estou mais empolgado que você”. Ela já não entendia tanta contradição e sabia que ali, não eram apenas as frases dela que formavam um paradoxo.
Então vem, olhe para as minhas muitas faces e tente desvendá-las. Sou multifacetada. Mergulhe em cada expressão e procure significado para cada novo rosto. Entre no meu ritmo e excite-se com sorrisos tão diferentes. Procure explicação para cada rostinho. Fale da intensidade dos meus gestos. E pense em tudo que desvendamos, que desvendaremos. Pense em quantas novas faces você vai apreciar, se deliciar. E me diga, vai, que “não temos nada a ver”.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Será?
Te vejo, te imagino, te quero. Fantasio. Mesmo sem saber se tudo isso faz sentido. Mas, será que algo faz sentido nesse mundo? Pode estar tudo errado, ou não. Mas o que é o certo ou o errado? Quem inventou esses conceitos? Será que você vai me preencher, assim certinho? Será que toda essa curiosidade vai ter fundamento?
Imagino cenas, ácidas, mas cheias de desejo. E sei que você também imagina. Fantasio em cada linha. E me inspiro em cada idéia semelhante. Parece tudo tão encaixado, mas como podemos saber, dentro desse mundo virtual. Às vezes, esse sim parece ser O mundo. O real está se apagando e deixando espaço para ações, aquisições, relações, sensações cada vez mais virtuais.
Mas, pela virtualidade, já entendemos que gostamos mesmo é de pele, de verdade, de vontade, de saudade. Queremos sentir o real. Ombros, pescoços. Sensação de prazer, de querer, de não-dever. Será que nos esbarramos assim, por acaso? Será que as afinidades realmente existem? Será? Será? Não importa.
O desejo é feito de expectativas, mesmo. O novo atrai. E nada mais excitante do que querer algo que, não sabemos muito bem o que será, o que trará, o que sentirá. Mas, entre o medo e o desejo, entre o pudor e a vontade, entre a frustração e a tentativa, acho que vamos.
Vou.
Vem.
Fui.
Fomos.
Imagino cenas, ácidas, mas cheias de desejo. E sei que você também imagina. Fantasio em cada linha. E me inspiro em cada idéia semelhante. Parece tudo tão encaixado, mas como podemos saber, dentro desse mundo virtual. Às vezes, esse sim parece ser O mundo. O real está se apagando e deixando espaço para ações, aquisições, relações, sensações cada vez mais virtuais.
Mas, pela virtualidade, já entendemos que gostamos mesmo é de pele, de verdade, de vontade, de saudade. Queremos sentir o real. Ombros, pescoços. Sensação de prazer, de querer, de não-dever. Será que nos esbarramos assim, por acaso? Será que as afinidades realmente existem? Será? Será? Não importa.
O desejo é feito de expectativas, mesmo. O novo atrai. E nada mais excitante do que querer algo que, não sabemos muito bem o que será, o que trará, o que sentirá. Mas, entre o medo e o desejo, entre o pudor e a vontade, entre a frustração e a tentativa, acho que vamos.
Vou.
Vem.
Fui.
Fomos.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Inspirado
Aposto que você ainda sonha, e me deseja. Nos piores dias, abraça seu travesseiro e me sente. Aquele travesseiro maior, que encaixa direitinho na sua barriga e traz conforto. Um pouco menos do que eu trazia. Dorme profundo. E acorda, às vezes ao lado de algo mais humano do que seu travesseiro. Mas isso, para mim, é indiferente. Porque sei que você me visita, todas as noites, todas as manhãs. E as outras figuras femininas, ao seu lado, apenas trazem um vazio maior.
Sabemos que nada foi por acaso. E por isso, nos revisitamos, mesmo que agora só em pensamentos. Confesso que fujo, mas o medo mesmo foi seu. Sei que senta no sofá da varanda e lembra. Lembra de nós e dos adolescentes que namoravam no playground em frente. Será que eles ainda namoram? Nós não. Apenas na virtualidade dos e-mails, mensagens de texto e bate-papos. E nos pensamentos, nas recordações. Que doem. Mas, existem. E disso, não é possível fugir.
Pode me desejar, em cada cômodo da sua casa, agora vazia. Sei que muitas freqüentam, mas nenhuma a preenche como eu fiz. Você sente minha presença. Minha alma andando por todos os lados. Dormindo no sofá que vira cama. E quantas fantasias descobrimos ali. Lembre-se dos seus maiores prazeres, todos comigo. Aprendemos. Sinta meus lábios. Meu hálito. Meu cheiro. Minha vontade. E sofra. De prazer. “Feche os olhos para que o sonho e as imagens se tornem mais reais. Como sempre vai ser...”
Existe outro em seu lugar. Mais alto, mais forte. Me pega em casa. Paga a conta. Não se surpreenda ao perceber que curto ele. E espero o telefone tocar. A energia mudou de foco. Espero uma mensagem, um beijo, um abraço. Mas sei que depois do ápice, lembrarei de tudo que vivemos. Assim, como você deve estar lembrando, a cada vez que sente um prazer pela metade. Você disse, tantas vezes, que nunca haveria nada igual, nada tão mágico. Justo você que recriminava os extremos “sempre” e “nunca”. Eu não sei. “Lembre-se que fui e ainda sou teu anjo. Talvez o pornográfico de Nelson Rodrigues, levando todo o exausto fogo que lhe pertence e que decifrei.”Lembre de cada despedida, de cada volta que apagou a sofrida saudade. Lembre dos pontos finais, que nada mais eram do que reticências. E entenda que dessa vez acabou, mesmo. Lembre do fatídico natal, em que fui. Passei. Sai. Fui. De vez.
Procure-me em outros braços, outros abraços. E chore. Por não me achar. Beba cerveja, fume, veja TV, fale de células, de experimentos. Longe de mim. Lembre da minha companhia, dos dias de risos, das noites de amor. Lembre de quantas vezes tentou fugir, sem sucesso. Lembre do quanto desejou não me desejar. Lembre de todas as vezes que voltou. Aceite que não conseguiu ficar longe de mim. Saiba que o mérito do nosso fim é todo meu.
Continue tentando me esquecer. Mas não se desespere se não conseguir. “A culpa é tua, fique sabendo”.
Sabemos que nada foi por acaso. E por isso, nos revisitamos, mesmo que agora só em pensamentos. Confesso que fujo, mas o medo mesmo foi seu. Sei que senta no sofá da varanda e lembra. Lembra de nós e dos adolescentes que namoravam no playground em frente. Será que eles ainda namoram? Nós não. Apenas na virtualidade dos e-mails, mensagens de texto e bate-papos. E nos pensamentos, nas recordações. Que doem. Mas, existem. E disso, não é possível fugir.
Pode me desejar, em cada cômodo da sua casa, agora vazia. Sei que muitas freqüentam, mas nenhuma a preenche como eu fiz. Você sente minha presença. Minha alma andando por todos os lados. Dormindo no sofá que vira cama. E quantas fantasias descobrimos ali. Lembre-se dos seus maiores prazeres, todos comigo. Aprendemos. Sinta meus lábios. Meu hálito. Meu cheiro. Minha vontade. E sofra. De prazer. “Feche os olhos para que o sonho e as imagens se tornem mais reais. Como sempre vai ser...”
Existe outro em seu lugar. Mais alto, mais forte. Me pega em casa. Paga a conta. Não se surpreenda ao perceber que curto ele. E espero o telefone tocar. A energia mudou de foco. Espero uma mensagem, um beijo, um abraço. Mas sei que depois do ápice, lembrarei de tudo que vivemos. Assim, como você deve estar lembrando, a cada vez que sente um prazer pela metade. Você disse, tantas vezes, que nunca haveria nada igual, nada tão mágico. Justo você que recriminava os extremos “sempre” e “nunca”. Eu não sei. “Lembre-se que fui e ainda sou teu anjo. Talvez o pornográfico de Nelson Rodrigues, levando todo o exausto fogo que lhe pertence e que decifrei.”Lembre de cada despedida, de cada volta que apagou a sofrida saudade. Lembre dos pontos finais, que nada mais eram do que reticências. E entenda que dessa vez acabou, mesmo. Lembre do fatídico natal, em que fui. Passei. Sai. Fui. De vez.
Procure-me em outros braços, outros abraços. E chore. Por não me achar. Beba cerveja, fume, veja TV, fale de células, de experimentos. Longe de mim. Lembre da minha companhia, dos dias de risos, das noites de amor. Lembre de quantas vezes tentou fugir, sem sucesso. Lembre do quanto desejou não me desejar. Lembre de todas as vezes que voltou. Aceite que não conseguiu ficar longe de mim. Saiba que o mérito do nosso fim é todo meu.
Continue tentando me esquecer. Mas não se desespere se não conseguir. “A culpa é tua, fique sabendo”.
domingo, 25 de janeiro de 2009
Cachinho
Pela primeira vez, andava de braços dados com meu pai. Todos, emocionados, me observavam. Paramos no fim da passarela vermelha rodeada de flores. Ele segurou forte a minha mão e a entregou para quem ele sabia que iria cuidar da filha dele para sempre. Você me admirava, realizando o seu sonho inconsciente de me ver naquela cauda branca...Aceitamos e prometemos diante de Deus sermos fiéis até a morte. Juramos a felicidade eterna, ate nos momentos mais dificeis. Nossas mães choravam com a certeza de que aquele era o dia mais importante de nossas vidas...
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Liberdade
Poucas pessoas freqüentam meu blog. Além de anônimo, não faço divulgação em comunidades do Orkut. Na verdade, nem Orkut tenho mais. Essas poucas pessoas, todas do meu mais estreito círculo social, naturalmente criam imagens de como está minha vida de acordo com meus textos. Mas, é bom saber que as narrativas sempre vêm recheadas de exageros e imaginações. A ficção não é real. E nem pretende ser.
Ninguém vai me conhecer melhor por meio de textos escritos às presas, numa mesa de trabalho, com 30 pessoas em volta. As linhas, muitas vezes, também estão fora de ordem, dessincronizadas. A estória contada hoje pode ter acontecido há anos atrás ou pode até nunca ter ocorrido. O que seríamos nós sem o mundo da fantasia?
Pretendo continuar assim, escrevendo mais textos tristes do que alegres. Simplesmente porque é isso que as pessoas gostam de ler. E todo mundo escreve para ser lido. Senão não existiriam os livros e, agora, os blogs. E, por favor, não venha dizer que gosta de finais felizes. Porque senão será preciso me explicar o sucesso de “Marley e eu”.
É até bom que leiam as minhas estórias e imaginem que estou triste. Assim, quando algum “voyeur” passar pelo meu blog não sentirá inveja da minha felicidade. E, como eu sempre disse, nada melhor do que a liberdade.
Ninguém vai me conhecer melhor por meio de textos escritos às presas, numa mesa de trabalho, com 30 pessoas em volta. As linhas, muitas vezes, também estão fora de ordem, dessincronizadas. A estória contada hoje pode ter acontecido há anos atrás ou pode até nunca ter ocorrido. O que seríamos nós sem o mundo da fantasia?
Pretendo continuar assim, escrevendo mais textos tristes do que alegres. Simplesmente porque é isso que as pessoas gostam de ler. E todo mundo escreve para ser lido. Senão não existiriam os livros e, agora, os blogs. E, por favor, não venha dizer que gosta de finais felizes. Porque senão será preciso me explicar o sucesso de “Marley e eu”.
É até bom que leiam as minhas estórias e imaginem que estou triste. Assim, quando algum “voyeur” passar pelo meu blog não sentirá inveja da minha felicidade. E, como eu sempre disse, nada melhor do que a liberdade.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
Oba
Estava lendo num blog, de mulheres de 30 e poucos anos, bem diferentes daquelas como eu, de vinte e poucos. Apreciando as estórias que elas contam, sinto-me bem. Até que estou com a vida colorida. Menos contas, menos obrigações, menos cuidados com a saúde e nenhum filho. Que sorte. Algumas coisas em comum: noites em casa. Mas, ao invés de colo de filho, colo de mãe. Que também é muito bom.
A verdade é que nós, mulheres, em qualquer idade, enfrentamos crises. Mas não há nada que nos derrube de vez. Aquelas com trinta e poucos talvez suportem mais, pois já passaram pela dor do parto. E, nesse momento, perceberam que a dor sempre traz algo muito bom. A dor é o pedágio que precisamos pagar para chegar na região dos lagos. A dor é o que nos mostra o quanto é bom o prazer. Se não houvesse dor, como saberíamos o que é o prazer? Por isso, a dor de perder a virgindade, a dor do sexo anal.
Toda dor antecede prazer, felicidade.
Oba!
A verdade é que nós, mulheres, em qualquer idade, enfrentamos crises. Mas não há nada que nos derrube de vez. Aquelas com trinta e poucos talvez suportem mais, pois já passaram pela dor do parto. E, nesse momento, perceberam que a dor sempre traz algo muito bom. A dor é o pedágio que precisamos pagar para chegar na região dos lagos. A dor é o que nos mostra o quanto é bom o prazer. Se não houvesse dor, como saberíamos o que é o prazer? Por isso, a dor de perder a virgindade, a dor do sexo anal.
Toda dor antecede prazer, felicidade.
Oba!
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