Lá venho eu de novo com minha fingida aversão a ditados populares. “Nunca diga nunca”.
Nunca vou freqüentar a Barra. Nunca vou comer peixe cru. Nunca vou te perdoar. Nunca mais vou encontrá-lo. Nunca vou ligar para ele. Nunca vou correr atrás. Nunca vou gostar de cerveja. Nunca vou sair da casa dos pais. Nunca vou namorar um barrense. Nunca vou casar. Nunca vou ser fiel. Nunca vou ser dependente. Nunca vou ser caseira. Nunca vou fazer intercâmbio. Nunca vou falar bem inglês. Nunca vou repetir de ano. Nunca vou estudar no São Vicente. Nunca vou achar que estou grávida. Nunca vou escalar uma montanha. Nunca vou deixar de comer doce. Nunca vou tomar um doce. Nunca vou lavar roupa de homem. Nunca vou deixar de ser pão-dura. Nunca vou querer sair do Rio. Nunca vou ser amante. Nunca vou ser orgulhosa. Nunca vou tratar bem a namorada do meu irmão. Nunca vou ter 12 horas de obrigação por dia. Nunca vou aceitar acordar às 7 da manhã. Nunca vou ter um blog. Nunca vou estudar finanças. Nunca vou gostar de televisão. Nunca vou fazer o que eu não quero. Nunca vou namorar com ele.
Salve os ditados populares!!
quarta-feira, 26 de março de 2008
quinta-feira, 20 de março de 2008
Passado
Paro para pensar naqueles momentos vividos ao lado dele. Éramos completamente diferentes, mas nos completávamos. Eu era feliz pra caralho. Tinha tudo que a personagem da novela das 8 luta para ter e só consegue no último capítulo. E ele tava ali. Para mim. Sempre. Vivemos, crescemos, dividimos, aprendemos, cedemos, compreendemos e, é claro, amamos. E digo isso sem hipocrisia porque amamos mesmo. Aquele amor verdadeiro no fundo da alma. Acabou.
Assim, numa conversa de telefone. Acabou. Fim. Game over. Ninguém acreditou, nem mesmo eu. Quando percebi, tinham-se passado meses e a falta foi pouca. Confesso sem peso na consciência. Amei muito e talvez por isso a saudade não tenha sido tão pesada. Amava e desejava o bem. Acima de tudo. Não queria prender a mim uma pessoa que merecia alguém por completo. Eu não estava mais ali. Estava aqui, onde estou até hoje, um ano e meio depois.
E agora sou eu que estou presa, e é um presídio gostoso. Admito que talvez haja até uma certa dependência, vontade intensa do sempre, do para sempre. Levo tudo que vivi como requisito para o agora, um agora delicioso, sonhado, desejado. O ele do passado também deve estar preso, ou talvez acomodado. Acho que pela sua personalidade, acomodado. Que merda! Quero vê-lo em um cela arrumada, com ela.
Acomodado ou preso, ele está feliz. Ele é feliz. Não pensa muito, vida sem reflexões muito profundas. Por isso, é feliz. Os mais filósofos que me desculpem, mas às vezes, invejo esse não-pensar. Essa felicidade superficial. Onde, para mim, tudo seria mais fácil. Mas hoje, mesmo com os milhões de pensamentos/reflexões/angústias/questionamentos estou presa.
Caralho! Nunca imaginei que estar presa fosse tão bom! To feliz pra caralho! (já usei o “caralho” 3 vezes, agora 4).
Pois é, a mulher independente, feminista e extremista está presa. E feliz pra caralho!
Assim, numa conversa de telefone. Acabou. Fim. Game over. Ninguém acreditou, nem mesmo eu. Quando percebi, tinham-se passado meses e a falta foi pouca. Confesso sem peso na consciência. Amei muito e talvez por isso a saudade não tenha sido tão pesada. Amava e desejava o bem. Acima de tudo. Não queria prender a mim uma pessoa que merecia alguém por completo. Eu não estava mais ali. Estava aqui, onde estou até hoje, um ano e meio depois.
E agora sou eu que estou presa, e é um presídio gostoso. Admito que talvez haja até uma certa dependência, vontade intensa do sempre, do para sempre. Levo tudo que vivi como requisito para o agora, um agora delicioso, sonhado, desejado. O ele do passado também deve estar preso, ou talvez acomodado. Acho que pela sua personalidade, acomodado. Que merda! Quero vê-lo em um cela arrumada, com ela.
Acomodado ou preso, ele está feliz. Ele é feliz. Não pensa muito, vida sem reflexões muito profundas. Por isso, é feliz. Os mais filósofos que me desculpem, mas às vezes, invejo esse não-pensar. Essa felicidade superficial. Onde, para mim, tudo seria mais fácil. Mas hoje, mesmo com os milhões de pensamentos/reflexões/angústias/questionamentos estou presa.
Caralho! Nunca imaginei que estar presa fosse tão bom! To feliz pra caralho! (já usei o “caralho” 3 vezes, agora 4).
Pois é, a mulher independente, feminista e extremista está presa. E feliz pra caralho!
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Tempo
Odeio concordar com esses ditados populares, mas hoje não tem jeito. "O tempo é o melhor remédio". Realmente. Pena que o efeito não é imediato. Puta que pariu gritado bem alto. Esse tempo que não passa e eu ansiosa para que ele seja meu remédio.
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Irmão
A gente reclama que o tempo passa rápido demais. Mas vive torcendo para que o dia de trabalho termine logo, para que chegue sexta-feira, para que a aula acabe. Dizemos que cada ano que passa é mais rápido, mas reclamamos incessantemente da rotina. Tudo muito contraditório. Fato é que eu faço parte dessas pessoas que falam da velocidade do tempo. Outro dia meu irmão fez 18 anos. Maior de idade. Assim, de uma hora para outra. Fechei os olhos, acordei e lá estava ele, falando das aulas da auto-escola. Tô ficando velha.
Até outro dia ele era um neném, desses de cabelo branco, de tão loiro. Lindo de morrer. Corujise a parte, ele era a criança mais bonita que já vi. A pele ficava marcada com qualquer toque, o que me ferrava, porque nas brigas eu sempre levava a culpa, acusada de agressão. Aquelas manchas roxas eram suas aliadas. Parecia que eu tinha esmurrado a criança. Que nada. Amor da minha vida.
Tocou meu telefone na sexta-feira, véspera de carnaval. Minha mãe, em pânico, dizia que um adolescente tinha ligado dizendo que meu irmão(zinho) estava caído de bêbado num bloco de carnaval. Meu Deus!!! Mas ele é uma criança. Crianças não bebem. Fui atrás dele para constatar o pior: ele não estava bêbado. Estava PEGANDO uma mulher. Palavras dele. Meu Deus!! Criança não pega mulher. Pelo contrário, meninos pequenos nem gostam de mulher.
Tá bom, me conformei. Ele não é mais uma criança. Muito menos aquele neném de cabelos brancos. Ele dormia com um paninho. Minha mãe só deixava eu pegar ele no colo quando estava sentada. Ela achava que eu era boba né? Pegar no colo sentada, não é pegar no colo. Pegar no colo é sair andando por aí com o bebê nos braços. Tudo bem, eu tinha 7 anos.
Agora estou com 24. E meu irmão com 18. Ele sai a noite, bebe, PEGA MULHER. Puta que pariu! O tempo passa rápido pra caralho. Daqui a pouco vai entrar pela minha casa uma patricinha, dessas que eu odeio, de mãos dadas com ele. Aí eu que serei adolescente. Vou colocar pimenta na Coca Light dela. Posso? Ou é muita maldade? Ahhh....ela que me aguarde!
Até outro dia ele era um neném, desses de cabelo branco, de tão loiro. Lindo de morrer. Corujise a parte, ele era a criança mais bonita que já vi. A pele ficava marcada com qualquer toque, o que me ferrava, porque nas brigas eu sempre levava a culpa, acusada de agressão. Aquelas manchas roxas eram suas aliadas. Parecia que eu tinha esmurrado a criança. Que nada. Amor da minha vida.
Tocou meu telefone na sexta-feira, véspera de carnaval. Minha mãe, em pânico, dizia que um adolescente tinha ligado dizendo que meu irmão(zinho) estava caído de bêbado num bloco de carnaval. Meu Deus!!! Mas ele é uma criança. Crianças não bebem. Fui atrás dele para constatar o pior: ele não estava bêbado. Estava PEGANDO uma mulher. Palavras dele. Meu Deus!! Criança não pega mulher. Pelo contrário, meninos pequenos nem gostam de mulher.
Tá bom, me conformei. Ele não é mais uma criança. Muito menos aquele neném de cabelos brancos. Ele dormia com um paninho. Minha mãe só deixava eu pegar ele no colo quando estava sentada. Ela achava que eu era boba né? Pegar no colo sentada, não é pegar no colo. Pegar no colo é sair andando por aí com o bebê nos braços. Tudo bem, eu tinha 7 anos.
Agora estou com 24. E meu irmão com 18. Ele sai a noite, bebe, PEGA MULHER. Puta que pariu! O tempo passa rápido pra caralho. Daqui a pouco vai entrar pela minha casa uma patricinha, dessas que eu odeio, de mãos dadas com ele. Aí eu que serei adolescente. Vou colocar pimenta na Coca Light dela. Posso? Ou é muita maldade? Ahhh....ela que me aguarde!
Felicidade
Trimmmmm!!!!! O barulho do interfone interrompeu a atenção da menina, no meio da novela. O interfone sempre vinha antes da campanhia. Ao abrir a porta, aquele beijinho seguido de um abraço. Sim, ao se cumprimentarem, ainda existiam os gestos carinhosos. E eles lutariam para que esse chamegos resistissem ao tempo. Ultimamente, os abraços tinham um novo cheiro. Um perfume que ela achava delicioso. E ficava feliz por perceber que ele se preocupava em estar cheiroso para ela. Maravilhoso saber que o outro gosta de agradar.
Na cozinha, é hora de colocar as cervejas no congelador. Para isso, ele tira todos as guloseimas-engordativas-congeladas do freezer. Ela observa. Com aquele olhar apaixonado. Cada gesto é lindo. Ela sabe que está vivendo o que sempre quis. Parece que achou o que procurava. Caramba. Já tinha perdido as esperanças e até estava buscando sambas na zona sul. Mas, como diriam todos os amigos: “as coisas acontecem quando menos esperamos”. Podia voltar a frequentar a Lapa. E aquela cerveja na geladeira trazia uma felicidade que a menina até evitava comentar.
É a paixão que agora se tornava real. Dividiam a mesma lata de cerveja, comiam no mesmo prato, as pernas sempre entrelaçadas. Não desgrudavam. E se a menina demorasse mais de 5 minutos na cozinha, logo ouvia um grito de “cadê você?”. Eles queriam e precisavam estar juntos o tempo todo. Em frente ao computador, só era necessária uma cadeira. Ela sempre no colo dele. Até quanto aos programas de TV eles estavam de acordo. Ele via novela e ela, futebol.
As duas escovas de dente. As duas toalhas. Uma só cama. E a casa agora tinha aquele cheiro de “casal feliz”, que tantos sonham. A menina transbordava de alegria, mas lembrava de uma amiga de infância que uma vez disse a ela que era para provocar inveja que ela se dizia tão feliz. Agora, então, a menina feliz era quietinha. Mas quem a conhecia via em seus olhos e sorrisos tamanha alegria. Eles tinham se encontrado. Ele estava começando a acreditar que a vida prega peças mesmo, mas um dia as pessoas se encontram.
Do seu lado, ele se sentia seguro. Dizia não gostar de falar sobre sentimentos, mas nas crises de carência fazia declarações. E ela anotava todas as frases bonitas, em um caderninho do ursinho Pooh. Que ele disse querer ler, mas só daqui há dez anos. Ela sentia que a confiança começava a existir. O mais difícil em um relacionamento, principalmente com o histórico dos dois. Mas eles não desistiam. Começavam a acreditar de verdade na relação.Naquela noite, entre os carinhos, cairam no sono. Acordaram às 4 da manhã, com desejo de estar mais juntos do que a física permite. Encaixaram-se, um dentro do outro, e voltaram a dormir. Mais juntos, impossível...
Na cozinha, é hora de colocar as cervejas no congelador. Para isso, ele tira todos as guloseimas-engordativas-congeladas do freezer. Ela observa. Com aquele olhar apaixonado. Cada gesto é lindo. Ela sabe que está vivendo o que sempre quis. Parece que achou o que procurava. Caramba. Já tinha perdido as esperanças e até estava buscando sambas na zona sul. Mas, como diriam todos os amigos: “as coisas acontecem quando menos esperamos”. Podia voltar a frequentar a Lapa. E aquela cerveja na geladeira trazia uma felicidade que a menina até evitava comentar.
É a paixão que agora se tornava real. Dividiam a mesma lata de cerveja, comiam no mesmo prato, as pernas sempre entrelaçadas. Não desgrudavam. E se a menina demorasse mais de 5 minutos na cozinha, logo ouvia um grito de “cadê você?”. Eles queriam e precisavam estar juntos o tempo todo. Em frente ao computador, só era necessária uma cadeira. Ela sempre no colo dele. Até quanto aos programas de TV eles estavam de acordo. Ele via novela e ela, futebol.
As duas escovas de dente. As duas toalhas. Uma só cama. E a casa agora tinha aquele cheiro de “casal feliz”, que tantos sonham. A menina transbordava de alegria, mas lembrava de uma amiga de infância que uma vez disse a ela que era para provocar inveja que ela se dizia tão feliz. Agora, então, a menina feliz era quietinha. Mas quem a conhecia via em seus olhos e sorrisos tamanha alegria. Eles tinham se encontrado. Ele estava começando a acreditar que a vida prega peças mesmo, mas um dia as pessoas se encontram.
Do seu lado, ele se sentia seguro. Dizia não gostar de falar sobre sentimentos, mas nas crises de carência fazia declarações. E ela anotava todas as frases bonitas, em um caderninho do ursinho Pooh. Que ele disse querer ler, mas só daqui há dez anos. Ela sentia que a confiança começava a existir. O mais difícil em um relacionamento, principalmente com o histórico dos dois. Mas eles não desistiam. Começavam a acreditar de verdade na relação.Naquela noite, entre os carinhos, cairam no sono. Acordaram às 4 da manhã, com desejo de estar mais juntos do que a física permite. Encaixaram-se, um dentro do outro, e voltaram a dormir. Mais juntos, impossível...
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
Canadá
Impressionante como determinadas coisas marcam nossa vida. E outras acontecem quase que mecanicamente. De um tempo pra cá tenho pensado em como essa vida nos surpreende. Quando menos esperamos, tudo pode mudar. Hoje estou aqui, sentada numa mesa de escritório, observando as pessoas trabalhando ao meu redor. Há 6 meses atrás, eu estava lá do outro lado, provavelmente tomando um capuccino cheio de creme. “With cream, please”. Eles acham o máximo andar com aqueles copos pela rua.
Morrava num apartamento que achava tudo de bom. Quatro companheiros de quarto. Uma bagunça. No chão da cozinha era praticamente impossível pisar porque o lixo transbordava e as cascas de ovo faziam um tapete junto com as embalagens de queijo industrializado. Eram três apartamentos com quatro pessoas em cada. Quase um albergue.
Minha mãe chegou lá para me visitar. Ou melhor, para me buscar. Ficou horrorizada com o prédio em que eu morava e o estado de calamidade do apartamento. Eu achava tudo ótimo. Até organizado demais. Cada pessoa tinha suas coisas na geladeira e isso era super respeitado. Haviam quatro manteigas, quatro ketchups, quatro maioneses. E olha que as embalagens lá não são nada pequenas. Isso não é organização? Ninguém podia “roubar” nem uma colher de manteiga do outro. Fala sério né mãe, super organização!
Enfim, eu adorava. E as pessoas que lá moravam também. Muita gente passou por lá enquanto eu era moradora do prédio. E acredita que eu, mesmo com minha característica de chatonilda, tenho saudade de todos eles? Talvez o único que não me faça falta seja o japonês que disse que eu era mal-comida. De resto, todos eles foram extremamente especiais. Cada um com seu sotaque.
E aquela época não volta mais. Outro dia eu soube que os três apartamentos agora são habitados por outros brasileiros, desconhecidos por todos nós. Mas pelo menos ficam as raízes. Eles devem estar pisando em ovos. E vivendo momentos em que só saberão da importância depois de aterrizar em São Paulo. São lembranças que ficam, de uma época que não volta mais.
Brindemos a esses 6 meses com uma pitcher e uma porção de nachos?
Morrava num apartamento que achava tudo de bom. Quatro companheiros de quarto. Uma bagunça. No chão da cozinha era praticamente impossível pisar porque o lixo transbordava e as cascas de ovo faziam um tapete junto com as embalagens de queijo industrializado. Eram três apartamentos com quatro pessoas em cada. Quase um albergue.
Minha mãe chegou lá para me visitar. Ou melhor, para me buscar. Ficou horrorizada com o prédio em que eu morava e o estado de calamidade do apartamento. Eu achava tudo ótimo. Até organizado demais. Cada pessoa tinha suas coisas na geladeira e isso era super respeitado. Haviam quatro manteigas, quatro ketchups, quatro maioneses. E olha que as embalagens lá não são nada pequenas. Isso não é organização? Ninguém podia “roubar” nem uma colher de manteiga do outro. Fala sério né mãe, super organização!
Enfim, eu adorava. E as pessoas que lá moravam também. Muita gente passou por lá enquanto eu era moradora do prédio. E acredita que eu, mesmo com minha característica de chatonilda, tenho saudade de todos eles? Talvez o único que não me faça falta seja o japonês que disse que eu era mal-comida. De resto, todos eles foram extremamente especiais. Cada um com seu sotaque.
E aquela época não volta mais. Outro dia eu soube que os três apartamentos agora são habitados por outros brasileiros, desconhecidos por todos nós. Mas pelo menos ficam as raízes. Eles devem estar pisando em ovos. E vivendo momentos em que só saberão da importância depois de aterrizar em São Paulo. São lembranças que ficam, de uma época que não volta mais.
Brindemos a esses 6 meses com uma pitcher e uma porção de nachos?
Saudade
Vejo as estrelas da minha janela, a brisa quente do verão entra pela fresta que está aberta. Meu corpo esticado na cama sente um calor há mto distante. Pessoas passam pelas ruas aproveitando cada momento da curta estação do ano, que tanto foi esperada. Parece que a vida muda com a chegada do verão. Nós, sul-americanos, não damos valor ao clima. Não imaginamos o quanto isso é valioso em países do hemisfério norte. São 10 da noite, o céu ainda azul sereno, com as estrelas começando a brilhar. Os casais, famílias e amigos, felizes…embaixo da minha janela. Ouço vozes, risadas e até mesmo passos. Moro no primeiro andar e a cidade aqui é silenciosa. Cidade pequena, rua calma, poucos carros. Acredite, escuto mais barulho de gente do que de buzina. Talvez aqui nem exista esse componente automobilístico. Buzina? Acho que no primeiro mundo isso é proibido, sob risco de multa. Na verdade não entendo porque aqui existe multa. As leis são cumpridas. Sempre, por todos.
Mas eu não quero aceitar as leis. Eu quero corronpê-las. Quero viver intensamente como sempre vivi. Muitos me chamam de louca, maluca. Nao entendo o porquê disso. Talvez pela minha coragem? Por não ter medo de mergulhar de cabeca? A melhor amiga conta que mergulho em águas geladas sem nem saber se haverá toalhas depois; e ainda diz que eu a levo junto. Que bom! Quero mesmo fazer as pessoas terem coragem de encarar o frio. Eu nao quero esse calor de verao canadense. Quero ouvir as buzinas, sair do trabalho às 6 da tarde com o céu escuro. O céu claro às 10 da noite é lindo, mas…aonde estão os carros, e as ruas de Copacabana?
Num dos muitos apartamentos de Copacabana, ouve-se o barulho de uma mensagem que chega de madrugada. Se este bipe nao for suficiente para despertar meu sono, logo em seguida o toque do celular fará seu papel. Por volta das 5 da manha, quando a night termina e bate aquela sensação pós-efeito etílico de “qual é o sentido desta vida solta”. Qual o sentido de não ter um pé para entrelacar nos seus no meio da noite. As 5 da manha, com o sol nascendo e a sobriedade começando a voltar às mentes, sentimos saudades. O resto do alcool no sangue é o responsavel pelo movimento do dedo que aperta a tecla “Send”. Pronto, meu telefone tocou. E na telinha piscando eu leio seu nome. Dou um pulo da cama. Com o coracao disparado, finjo pensar se devo ou não atender. Mas, para que me enganar? Eh claro que sempre atendo. Essas são as ligações mais carregadas de declarações de amor. Promessas, planos, vontades.
Depois de horas e horas, com o sol carioca ja chamando para a praia, desligamos. Tento dormir, nao consigo. As idéias correm pela cabeça, se cruzam com o que acho certo e o que realmente acontece. Os fatos se chocam. Os questionamentos surgem. Por que ele nao estava ali em Copacabana? Ou eu no bairro ao lado…tanto fazia…nao pecisamos de muita coisa…apenas de quatro paredes…ou mesmo a rua seria interessante. Ele disse que gosta, coisas de adolescentes que despertam tesão em adultos.
Nos gostamos, nos queremos. Muito. Fazemos planos segretos. Imaginamos um monte de coisas. Um mundo muitas vezes chamado de fantasia. Fantasia porque ele assim quer. Porque eu transformaria tudo isso em realidade. No dia 11 de setembro. Sem um dia de atraso. Nao esperaria nem mais um segundo. A saudade corrói.
Ja sao 11 e meia, o céu já está preto. As estrelas mais brilhantes. Uma fatia de lua me dá boa noite, como quem quer dizer “esquece isso”. Não, Lua, a piscina é gelada, mas estamos no verão.
Mas eu não quero aceitar as leis. Eu quero corronpê-las. Quero viver intensamente como sempre vivi. Muitos me chamam de louca, maluca. Nao entendo o porquê disso. Talvez pela minha coragem? Por não ter medo de mergulhar de cabeca? A melhor amiga conta que mergulho em águas geladas sem nem saber se haverá toalhas depois; e ainda diz que eu a levo junto. Que bom! Quero mesmo fazer as pessoas terem coragem de encarar o frio. Eu nao quero esse calor de verao canadense. Quero ouvir as buzinas, sair do trabalho às 6 da tarde com o céu escuro. O céu claro às 10 da noite é lindo, mas…aonde estão os carros, e as ruas de Copacabana?
Num dos muitos apartamentos de Copacabana, ouve-se o barulho de uma mensagem que chega de madrugada. Se este bipe nao for suficiente para despertar meu sono, logo em seguida o toque do celular fará seu papel. Por volta das 5 da manha, quando a night termina e bate aquela sensação pós-efeito etílico de “qual é o sentido desta vida solta”. Qual o sentido de não ter um pé para entrelacar nos seus no meio da noite. As 5 da manha, com o sol nascendo e a sobriedade começando a voltar às mentes, sentimos saudades. O resto do alcool no sangue é o responsavel pelo movimento do dedo que aperta a tecla “Send”. Pronto, meu telefone tocou. E na telinha piscando eu leio seu nome. Dou um pulo da cama. Com o coracao disparado, finjo pensar se devo ou não atender. Mas, para que me enganar? Eh claro que sempre atendo. Essas são as ligações mais carregadas de declarações de amor. Promessas, planos, vontades.
Depois de horas e horas, com o sol carioca ja chamando para a praia, desligamos. Tento dormir, nao consigo. As idéias correm pela cabeça, se cruzam com o que acho certo e o que realmente acontece. Os fatos se chocam. Os questionamentos surgem. Por que ele nao estava ali em Copacabana? Ou eu no bairro ao lado…tanto fazia…nao pecisamos de muita coisa…apenas de quatro paredes…ou mesmo a rua seria interessante. Ele disse que gosta, coisas de adolescentes que despertam tesão em adultos.
Nos gostamos, nos queremos. Muito. Fazemos planos segretos. Imaginamos um monte de coisas. Um mundo muitas vezes chamado de fantasia. Fantasia porque ele assim quer. Porque eu transformaria tudo isso em realidade. No dia 11 de setembro. Sem um dia de atraso. Nao esperaria nem mais um segundo. A saudade corrói.
Ja sao 11 e meia, o céu já está preto. As estrelas mais brilhantes. Uma fatia de lua me dá boa noite, como quem quer dizer “esquece isso”. Não, Lua, a piscina é gelada, mas estamos no verão.
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