E ela me disse que desde pequena imagina a mulher casada que será. Vai usar short curto e blusa de malha sem sutiã. Vai ser Amélia. Servir petiscos para os amigos do marido, que será louco por futebol. Chamará de “amor” e fará todas as vontades. Ficará na cozinha, sentará no colo dele, que gritará “gostosa”, sem nem mesmo ter olhado para seu corpo. Terá prazer em ser submissa, com seus quatro filhos homens. O homem de sua vida é pobre. E sua casa terá o perfil “A Grande Família”.
A nossa irmã terá um marido que carrega todas as bolsas das crianças. Ele será mais discreto, pelo menos em público. Ela, toda social, sempre muito bem arrumada, terá uma filha. A menina andará com o cabelo bagunçado, com um arco mal colocado. Meleca no nariz. Pedirá para que a tia a leve ao banheiro. Ela fará tudo para agradar ao marido, e beberá cerveja com ele enquanto as crianças se machucam no play, da zona sul.
E eu?
Acho que sou meio durona, sim. Pelo menos um pouquinho independente e bem resolvida. Você que não quer que eu seja assim e tem uma prepotência que te faz me achar apaixonada.
Não, eu nunca imaginei meu vestido de noiva. Muito menos meu marido.
Será que eu terei um marido?
Pouco provável. Eu sou “incasável”!